Desde o início, passando pelo meio e até o fim: que pena, que pena, que pena.
(From the beginning, through the middle years and up to the end: too bad, too bad, too bad.)
Esta citação de Sifting Through the Madness for the Word, the Line, the Way de Charles Bukowski resume uma perspectiva austera, quase niilista, da trajetória da vida. Sugere uma progressão inevitável e implacável do início ao fim, marcada por um refrão de resignação - "que pena, que pena, que pena". A repetição amplifica um sentimento de futilidade ou lamento, destacando que ao longo de cada fase da existência – desde a génese, passando pelo ponto médio até ao fim último – permanece uma corrente subjacente de desilusão ou tristeza.
Bukowski, conhecido por suas reflexões cruas e sem remorso sobre as dificuldades da vida, destila aqui uma verdade universal de que a vida muitas vezes apresenta desafios e arrependimentos dos quais não podemos escapar. A frase “que pena” ecoa como um mantra triste, sublinhando a inevitabilidade do sofrimento ou das oportunidades perdidas. No entanto, não é apenas desespero; é também uma aceitação da dureza da realidade. Este reconhecimento ponderado e repetitivo poderia ser interpretado como um apelo para enfrentar a vida de frente, sem ilusões, abraçando as suas imperfeições inerentes.
Num sentido mais amplo, esta citação convida-nos a refletir sobre como percebemos as nossas jornadas – quer nos detenhamos no negativo ou procuremos um significado apesar da adversidade. Levanta questões sobre a tendência humana de insistir na perda ou no infortúnio e desafia o leitor a considerar se a resignação é a única resposta ou se há espaço para resiliência e esperança em meio aos “muito ruins”. A perspectiva austera de Bukowski, embora sombria, pode ser um catalisador para uma contemplação mais profunda sobre a aceitação e a natureza da experiência.