Nada é mais desejável do que ser libertado de uma aflição, mas nada é mais assustador do que ser despojado de uma muleta.
(Nothing is more desirable than to be released from an affliction, but nothing is more frightening than to be divested of a crutch.)
Esta citação capta eloquentemente a dualidade da experiência humana ao confrontar o sofrimento e a dependência. Muitas vezes, o nosso instinto inicial quando enfrentamos dificuldades é procurar alívio – seja através de medicamentos, sistemas de apoio ou outros mecanismos de resposta. O desejo de libertação da dor ou da adversidade é natural, refletindo o nosso anseio inato por conforto e estabilidade. No entanto, a segunda parte da citação revela uma verdade psicológica profunda: remover as próprias muletas que nos sustentam nas nossas lutas pode induzir ao medo. Estas muletas, embora por vezes sejam símbolos da nossa confiança, também servem como âncoras psicológicas, proporcionando uma sensação de segurança no meio do caos. O medo de ficar sem apoio está enraizado na vulnerabilidade que acompanha a mudança, especialmente quando equiparamos as nossas dependências à segurança. Esta visão ressoa em várias facetas da vida, desde a saúde física ao bem-estar mental, e até mesmo em estruturas sociais mais amplas. Promove a reflexão sobre como os indivíduos e as sociedades podem resistir à mudança, não por preferência pelo sofrimento, mas porque o desconforto da independência ou da autossuficiência pode, por vezes, parecer esmagador. Abraçar o processo de eliminação de dependências requer muitas vezes uma coragem significativa, pois obriga-nos a confrontar os nossos medos de vulnerabilidade e solidão. Em última análise, a citação sublinha a importância de avaliar aquilo em que confiamos e reconhecer que a verdadeira resiliência não provém da dependência, mas da nossa capacidade de enfrentar a incerteza e o desconforto sem muletas.
---James Baldwin---